túmulo

Filme retrata o roubo do caixão de Charles Chaplin

A história de vida de Charles Chaplin é tão fantástica, que por si só daria um interessante enredo para um filme. Após sua partida, no dia 25 de dezembro de 1977, aconteceu um evento que poderia ter saído da mente de qualquer roteirista de Hollywood: o Sequestro do seu seu corpo! Essa história já contamos aqui no blog (confira o post aqui).

O fato é que muitas vezes a vida imita a arte e essa máxima nunca foi tão verdadeira na atualidade. Na última quinta-feira, 28, no 71º Festival de Cinema de Veneza, foi apresentado um longa-metragem que retrata o caso do roubo do túmulo de Chaplin. O filme, cujo título é “La rançon de la gloire” (algo como “o preço da fama”), é dirigido pelo francês Xavier Beauvois (Deuses e Homens), sendo forte candidato ao Leão de Ouro de Veneza. Apesar da história real beirar a tragédia, na versão fílmica ela ganha um humor agridoce. O enredo teve a autorização da família de Charles Chaplin, que inclusive cedeu algumas imagens do rico acervo do patriarca ilustre.

Cena do filme "La rançon de la gloire"

Cena do filme “La rançon de la gloire”

Alguns detalhes da história foram alterados (como toda versão cinematográfica), a exemplo da nacionalidade dos ladrões do túmulo, que originalmente eram um polonês e um búlgaro, no filme, são argelino e belga, respectivamente.

Segundo a crítica, o tom de humor abordado no filme é muito semelhante ao de Chaplin, tendo, por isso, arrancado aplausos em sua estreia.

Muitas cenas do filme foram filmadas no Manoir de Ban, na Suíça, onde o ator e diretor passou os últimos 24 anos de sua vida.

Durante as filmagens do longa, na Suíça. Foto: Vevey Ville d'images

Durante as filmagens do longa, na Suíça.
Foto: Vevey Ville d’images

“Lembro-me desta época não muito agradável. (…) Quando encontramos o caixão de meu pai em um campo, na beira de uma floresta, perto de um canal. Foi absolutamente maravilhoso. Por isso, quase me arrependi de tê-lo encontrado”, declarou Eugene Chaplin, filho de Charlie Chaplin, presente no Festival para defender o filme.

Da esquerda para a direita: Arthur Beauvois, Eugene Chaplin, Michel Legrand, Xavier Beauvois, Seli Gmach e Nadine Labaki durante o 71º Festival de Veneza, na Itália.

Da esquerda para a direita: Arthur Beauvois, Eugene Chaplin, Michel Legrand, Xavier Beauvois, Seli Gmach e Nadine Labaki durante o 71º Festival de Veneza, na Itália. Fonte: Pascal Le Segretain/Getty Images Europe

O Leão de Ouro de Veveza será concedido ao ganhador no dia 06 de setembro de 2014.

O caso do roubo do túmulo de Chaplin (1978)

Por Hallyson Alves

Poucos sabem na atualidade, mas após a morte de Charles Chaplin, em 25 de dezembro de 1977, e seu sepultamento, no dia 27 de dezembro, houve um dos mais famosos casos de roubo de cadáveres da história. Uma quadrilha invadiu o cemitério de Corsier sur-Vevey, na Suíça e sequestrou o corpo do artista, numa suposta tentativa de extorquir a família, em troca do resgate do cadáver. A viúva de Chaplin, Oona O´Neill, na ocasião, não fez qualquer comentário sobre o pedido de dinheiro por parte dos ladrões. A polícia da cidade Suíça, afirmava que  era possível que a quadrilha fosse composta por neo-nazistas, que estavam movidos a se vingarem do artista, por ter feito um filme que satirizava Hitler (O Grande Ditador, 1940).

O assunto ganhou enorme repercussão em todo o mundo e, no Brasil, onde Carlitos já tinha grande fama entre os entusiastas do cinema mudo, não foi diferente. O jornal Folha de São Paulo, publicou entre março e dezembro de 1978 reportagens acerca de todo o processo de investigação e recuperação do corpo de Chaplin. Eis as manchetes publicadas na Folha:

 

 

“Corpo de Chaplin é roubado de Corsier Sur Vevey”

“Chaplin, mais um morto itinerante”

“Caso Chaplin: enterrado novamente?”

“Desmentidas as últimas notícias sobre Chaplin”

“Acharam o corpo de Chaplin”

“Restos de Chaplin voltam para Corsier Sur Vevey”

“Chaplin agora enterrado para sempre”

“Viúva de Chaplin dá festa a mil policiais”

“Ainda o roubo do corpo de Chaplin”

O Jornal do Brasil publicou, em 03 de março de 1978, uma matéria sob o título: “Suíços acham que Nazistas violaram o caixão de Chaplin”, onde evidencia as suspeitas da polícia suíça, uma vez que,  o que havia de mais valioso na tumba eram as alças prateadas do caixão, e no entanto os indivíduos levaram o corpo junto.

O plano do grupo de ladrões não obteve êxito, já que a polícia suíça conseguiu capturá-los, resgatando, consequentemente, o corpo de Chaplin. Numa forma de externar seu agradecimento, Oona O´Neill ofereceu uma grande festa para mil policiais, realizada num prédio do governo suíço, em Lausanne.

Poucos dias após a divulgação do roubo do túmulo, o programa Fantástico, da Rede Globo, produziu uma matéria sobre o artista, onde uma famosa atriz da casa veste-se do principal personagem de Chaplin, o vagabundo. No final da mesma matéria, é possivel ver imagens do caixão sendo sepultado no cemitério de Vevey:

Dois anos após a sua morte, o Fantástico produziu uma matéria especial sobre Chaplin. Vale à pena conferir:

O usuário do Youtube, por nome “” capturou algumas imagens do local exato onde o corpo do artista fora encontrado.

Eis a descrição do vídeo:

“In the beginning of March, 1978, Charlie Chaplin’s grave is violated and its body is stolen. Numerous demands of ransom are sent to the Chaplin family. The body of the film-maker will be found some weeks later in a wood, and both gangsters who had kidnapped him will be condemned for attempt of extortion. In the video you will see the place (marked today by a big wooden cross) where the body of the actor was hidden by the kidnappers and where it was found.”

Traduzindo:

“No início de março de 1978, o túmulo de Charlie Chaplin é violado e seu corpo é roubado. Uma numerosa demanda de resgate são enviadas para a famíliaChaplin. O corpo do cineasta será encontrado algumas semanas mais tarde em uma madeira, e os dois bandidos que o tinham seqüestrado serão condenados por tentativa de extorsão. No vídeo você vai ver o local (marcado hoje por uma grande cruz de madeira) onde o corpo do ator foi escondido pelos sequestradores e onde foi encontrado.”

Hoje Charles Chaplin e sua esposa, Oona, repousam no cemitério Corsier sur Vevey, na Suíça.

Túmulo de Charles e Oona, em Corsier-Sur-Vevey.

Túmulo de Charles e Oona, em Corsier-Sur-Vevey.

Lamentavelmente ocorreu esse fato na história de Carlitos, entretanto, é por seus grandes feitos como artista que ele é lembrado por todos, merecidamente. Charles Chaplin é um verdadeiro ícone do cinema, revolucionando a forma de lidar com o cinematógrafo. Sua obra ainda influencia muitos artistas e diretores de todo o mundo.

Descanse em paz, Charles Chaplin!

 

Fontes:

Jornal do Brasil

Folha de São Paulo

Cine Monstro

Youtube