Chaves foi inspirado no “Garoto”, de Chaplin?

Chaves foi inspirado no “Garoto”, de Charles Chaplin? Essa é uma pergunta que, frequentemente, diversos leitores nos fazem, através de e-mails e das redes sociais.

No episódio do álbum de fotografias (versão produzida por volta do ano de 1978), em que Chaves chega à vila e encontra o Seu Madruga tirando uma foto da Chiquinha, ele está muito parecido com o personagem-título do filme O Garoto, de Charles Chaplin (1921) – um “chavo” (garoto) que, portanto, surgira muitos anos antes do personagem mexicano. Por tamanha semelhança, muitas pessoas têm dúvidas se o personagem de Roberto Gomes Bolaños (ou Chespirito, como é conhecido no México) recebeu a influência do Garoto, criado por Chaplin. Veja uma parte do episódio:

Certamente, Bolaños sempre teve uma grande admiração por Charles Chaplin e até realizou algumas homenagens ao artista. Na década de 1970, começou a interpretar o principal personagem criado por Chaplin, o vagabundo. Em episódios do Chapolin, como por exemplo: o “Show deve continuar” e “Festa a Fantasia” ele aparece algumas vezes, utilizando as mesmas gags do astro que o inspirou.

Chespirito imitando Chaplin, na década de 1970. Fonte: Vizinhança do Chaves

Chespirito imitando Chaplin, na década de 1970.
Fonte: Vizinhança do Chaves

Abaixo, você vê uma das cenas em que Chespirito aparece fantasiado do Vagabundo. É inquestionável a excelência na interpretação do ator, que consegue reproduzir algumas gags de Chaplin, tornando a cena bastante divertida:

E o Chaves, figura central na obra de Bolaños, teria alguma relação com “O Garoto”, de Charles Chaplin?

Chaves é um garoto pobre, como tantas outras crianças da América Latina, que vive em um cortiço, convivendo com uma vizinhança repleta de personagens interessantes. Há crianças (interpretadas por adultos) Chiquinha (Maria Antonieta de las Nieves, Quiko (Carlos Villagrán), Nhonho (Edgar Vivar), Pópis (Florinda Meza), além do próprio Chaves (Roberto Bolaños). Há também os adultos: o Seu Madruga (Ramón Valdés), a Dona Florinda (Florinda Meza), o Senhor Barriga (Edgar Vivar), a Dona Clotilde (a Bruxa do 71, interpretada por Angelines Fernández) e o professor Girafales (Rubén Aguirre), que não mora na vila, mas sempre aparece, para fazer uma visita à Dona Florinda, já que ambos nutrem o romance da trama.

Chaves, o garoto da Vizinhança

Chaves, o garoto da Vizinhança

Na vila, Chaves é muitas vezes ignorado, culpado e até mesmo difamado, sobretudo por suas trapalhadas, mas ao mesmo tempo a vizinhança nutre um sentimento de afeição pelo órfão, que aparentemente vive num barril, mas já deixou claro num certo episódio que ele morava com uma senhora (não se sabe quem é essa senhora e muito menos em que casa ele vive). Assim como o garoto pobre do subúrbio mexicano, o pequeno Garoto, eternizado no filme de Chaplin, de 1921, é abandonado pelos pais. No caso da criança chaplinesca, ela é adotada pelo vagabundo, que lhe dá um lar, embora deveras pobre. A figura de Chaplin e o Garoto é icônica e figura em milhares de lugares pelo mundo, tal qual o garoto mexicano de Chespirito.

O Garoto

O Garoto (Jackie Coogan)

Ao que parece, as semelhanças param por aí. Segundo os filhos de Roberto Bolaños, muito do comportamento de Chaves foi construído a partir da observação que o pai fazia, quando eles eram ainda pequenos. Em algumas ocasiões,  o próprio Bolaños contou que o Chaves (El Chavo) foi baseado em um engraxate real, que se entusiasmou com uma grande gorjeta dada por ele e disse: “Com esse dinheiro dá pra comprar um sanduíche de presunto… Ou dois…” (no México o sanduíche de presunto é uma iguaria muito popular). Começava a nascer, naquele momento, o fenômeno Chaves ou “El Chavo del 8”. 

Referências:

Vizinhança do Chaves

Youtube

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Sobre Hallyson Alves

Sou historiador e psicólogo. Desde 2007 pesquiso sobre Charles Chaplin, ícone do cinema mundial, sendo este a principal inspiração para a minha dissertação de mestrado. Foi com o intuito de compartilhar um pouco desta pesquisa, que criei o Blog Chaplin, o primeiro blog com conteúdo exclusivo sobre o artista, em língua portuguesa. Além disso, venho construindo o blog Psicologia e Sentido, espaço reservado para conteúdos relacionados à busca humana pelo sentido da vida.

5 comentários

  1. Legal o texto! Eu vejo que influência da obra do Chaplin vai além do personagem: até a própria construção das histórias e muito das gags e efeitos cômicos (e partes sentimentais), hoje em dia, parecem para mim vir de alguma forma do Chaplin.

    1. Concordo, Diogo. Por ter revolucionado a forma de se fazer cinema, facilmente encontramos uma referência chapliniana em obras cômicas e humanistas, como é o caso do Chaves e outros personagens de Bolaños.

  2. Olá,

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