O cinema mudo português e seus “Charlot’s”

O cinema português tem suas origens em 1896, ano em que foi exibido o curta-metragem de Aurélio Paz dos Reis, na cidade do Porto. O curta se chama “Saída do pessoal da Fábrica Confiança” e é uma réplica do filme dos irmãos Lumière “La Sortie de l’usine Lumière à Lyon” – um dos primeiros filmes do cinema.

O Vagabundo nascia em 1914, e já pouco tempo depois teve um sucesso mundial. Em Portugal, alguns de seus principais representantes do cinema mudo viram o querido Charlot como exemplo de personagem. Tiago Baptista, que é especialista em cinema mudo da Cinemateca Portuguesa, salienta: “Reflectindo os gostos da época e aquilo que era o cinema estrangeiro mais visto e mais apreciado no Portugal dos anos dez, muitos destes filmes são comédias inspiradas muito directamente nos filmes de Chaplin.”. Um deles é o argentino Hector Quintanilla, mais conhecido como Cardo, que realizou filmes dirigidos por Ernesto de Albuquerque claramente inspirados em Charlot. Três filmes interpretados pelo argentino são de 1916. Seguem as fotos:

Chegada de Cardo as Charlot a Lisboa, 1916

Chegada de Cardo as Charlot a Lisboa, 1916 Fonte: CINEPT

Uma conquista de Cardo as Charlot no Jardim Zoológico de Lisboa, 1916

Uma conquista de Cardo as Charlot no Jardim Zoológico de Lisboa, 1916 Fonte: CINEPT

Cardo as Charlot no Politeama, 1916

Cardo as Charlot no Politeama, 1916 Fonte: CINEPT

Outro que se inspirou em Chaplin, foi Emídio Ribeiro Pratas, popularmente chamado de Pratas. Além de imitar o Vagabundo em suas vestimentas e adereços, Pratas também interpretava como Charlot, em suas expressões faciais. Ele acaba por fundar a Pratas Film, uma empresa produtora que tinha como objetivo a produção de filmes cômicos em que ele próprio era o protagonista. Aqui segue o vídeo de um trecho do filme “Pratas, o conquistador” de 1917:

 

Viva Chaplin, eterno inspirador de personagens, filmes, sorrisos e vidas!

Referências:

CINEPT

http://www.truca.pt/imaginario_material/imaginario129_137.html

AAVV, Historia del Cine Español, Cátedra, 1995, p. 69;Palmira González López, «El cine mudo en Barcelona», in Cuadernos de la Academia, nº1, Un Siglo de Cine Español, dirRomán Gubern, 3ª ed., 2000, p. 47.

«A Cinematographia em Portugal. Relato de Emydio Ribeiro Pratas.», in Cine-Revista, nº1, 15 março 1917 e Nº2, 15 abril 1917

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