Chaplin por Truffaut*

*O prefácio de François Truffaut encontra-se no livro Charlie Chaplin, de André Bazin pela Editora Jorge Zahar. Eis um fragmento dele:

“Charlie Chaplin é o cineasta mais célebre do mundo, mas sua obra quase se tornou a mais misteriosa do cinema. À medida que expiravam os direitos de exploração comercial de seus filmes, Chaplin proibia a distribuição, escaldado, convém esclarecer, por inumeráveis reedições piratas, e isso desde o início de sua carreira. As novas gerações de espectadores que chegavam só conheciam O garoto, O circo, Luzes da cidade, O grande ditador, Monsieur Verdoux, Luzes da ribalta de ouvir falar.

(…)

Durante os anos que precederam a invenção do cinema falado, pessoas no mundo inteiro, principalmente escritores e intelectuais, zombavam e desdenhavam do cinema, no qual viam apenasa uma exceção, Charlie Chaplin – e compreendo que isso parecesse odioso a todos aqueles que tinham visto com atenção os filmes de Griffith, Stroheim e Keaton. Foi a polêmica em torno do tema: o cinema é uma arte? Mas esse debate entre dois grupos de intelectuais não dizia respeito ao público, que, por sinal, não se questionava sobre o tema. Com seu entusiasmo, cujas proporções são difícies de imaginar hoje – seria preciso transferir e estender o mundo inteiro o culto prestado a Eva Perón na Argentina -, o público fazia de Chaplin, no momento em que terminava a Primeira Guerra Mundial, o homem mais popular do mundo.

Se fico maravilhado, cinquenta e oito anos depois da primeira aparição de Carlitos na tela, é porque vejo nisso uma grande lógica – e nessa lógica, uma grande beleza. Desde seus primórdios, o cinema foi feito por pessoas privilegiadas, ainda que não se tratasse, até 1920, de praticar uma arte. Sem repetir o refrão, famoso desde maio de 1968, a propósito do “cinema burguês”, gostaria de observar que sempre houve grande diferença, não apenas cultural, mas biográfica, entre as pessoas que fazem os filmes e as que a eles assistem”.

Veja mais:

Charlie Chaplin, de André Bazin

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Sobre Hallyson Alves

Sou historiador e psicólogo. Desde 2007 pesquiso sobre Charles Chaplin, ícone do cinema mundial, sendo este a principal inspiração para a minha dissertação de mestrado. Foi com o intuito de compartilhar um pouco desta pesquisa, que criei o Blog Chaplin, o primeiro blog com conteúdo exclusivo sobre o artista, em língua portuguesa. Além disso, venho construindo o blog Psicologia e Sentido, espaço reservado para conteúdos relacionados à busca humana pelo sentido da vida.

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