Na Suíça, 662 pessoas batem recorde em homenagem ao aniversário de Charlie Chaplin

Neste domingo, 16, data em que cinéfilos de todo o mundo comemoram ao aniversário de Charles Chaplin (1889-1977), mais de seiscentas pessoas, todas fantasiadas de Carlitos, o principal personagem criado por Chaplin, se reuniram em frente ao Chaplin’s World, único museu no mundo exclusivo sobre Charles Chaplin. O museu localiza-se em Corsier-sur-Vevey, no oeste da Suíça.

Os participantes, para serem homologados, tinham que vestir terno preto, sapatos pretos, camisa branca, chapéu-coco, bigotes e bengala.

O museu Chaplin’s World foi visitado em seu primeiro ano de vida por cerca de 300.000 pessoas, número muito superior às estimativas, que eram de 220.000.

Charlie Chaplin passou os últimos anos de sua vida na Suíça, em Corsier-sur-Vevey, no cantão de Vaud, onde morreu em 1977.

No Brasil, a homenagem ocorreu no Facebook, onde diversos admiradores e imitadores de Chaplin se reuniram para celebrar o seu 128º aniversário.

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“O que eu aprendi com o Chaplin”?

“Há mais de 10 anos fazendo o Chaplin, eu aprendi que o simples é tudo. Um simples “vagabundo” e todo mundo sabe quem é o personagem.”

– Paulo Chaplin

“A vida e esse grande mestre do cinema me ensinaram …
a viver cada momento como se fosse único, por isto eu canto, corro, brinco e danço, vivo tudo imensamente antes que a morte venha e tire de mim toda a alegria que me transborda, e eu não possa mais compartilhar e dividir com as pessoas esta alegria.
Aprendi a viver cada momento como se fosse o último, por isto respeito a todos independente de credo, cor ou opção sexual.”

– Roberson Martins De Carvalho

“Aprendi a sorrir e a fazer as pessoas sorrirem com este personagem, deste artista genial!
Graças a Chaplin sou o que sou hoje.”

– Mauricio Rocha

“Eu aprendi que é sempre um prazer viver essa “persona” fabulosa.
Sempre me transporto para sua saudosa época. Saudades do que não se viveu, como isso é possível?”

– Igor Jardim

“Charles Chaplin deixou ensinamentos artísticos e humanos.
Trouxe alegria com o Carlitos, mas também usou o personagem para conscientizar e fazer a humanidade refletir sobre vários temas importantes.
Um artista de verdade!
Interpretando o personagem eu aprendo que posso tocar o coração e mente das pessoas com um sorriso, gesto, olhar e simplicidade.”

– Kiury

“Aprendi com Chaplin que é possível ser feliz a todo momento quando não levamos a vida tão a sério. O bom humor é um exercício diário que nos faz ser mais leves em nossa jornada.”

– Alejandro Garcia

“Eu aprendi a ter generosidade.
É importante doar nosso sorriso, colo, paciência e atenção.
Estender a mão para levantar, oferecer apoio ou simplesmente afagar.
Ser mais condescendente com as fraquezas.
Forte é quem segue apesar delas.
Batalhar, perseverar, lutar com unhas e dentes, mas não esquecer que “Melhor do que ultrapassar a linha de chegada é ter com quem comemorar a vitória.”
Por fim…
AMAR. Sem pudores e sem reservas.
porque no final mesmo, que ninguém sabe quando será, vai ser o que terá valido a pena.”

– Francisco Charles

Post ESPECIAL de Aniversário: O som que vem do coração

Hoje, 16 de abril, é o dia do aniversário do genial Charles Chaplin. Durante os 09 anos do Blog Chaplin, procurei trazer sempre uma homenagem diferente para o mestre do Cinema. Para este ano, eu ainda não havia pensado sobre o que fazer neste dia, que considero especial. Foi aí que eu conheci a história fantástica de uma criança, depois de ver um vídeo maravilhoso, em que ele fazia algumas peripécias, vestido de Charlie Chaplin.

O pequeno filme em questão, foi uma produção idealizada pela mãe do menino, com a ajuda de amigos, para uma promoção organizada pela produção do filme “Cromossomo 21” (saiba mais sobre o filme aqui). Na ocasião, foi pedido um vídeo, onde deveria ser dita a frase “Somos todos Cromossomo 21”.

Mas o Marcos ainda não fala. Sendo assim, o que parecia ser uma barreira, tornou-se uma excelente ideia, na mente criativa da mamãe Simone. Antes de contar um pouco mais dos bastidores, convido-lhe a assistir o breve vídeo do Marcos e em seguida, conhecer um pouco da sua incrível história:


Marcos Filho é uma criança de 6 anos. Como toda criança desta idade, ele adora correr, brincar e gastar bastante energia. O que difere o Marcos de muitas outras crianças não é o fato dele ter um cromossomo a mais (Síndrome de Down), mas sim uma história de luta pela sobrevivência, onde o amor,  carinho e dedicação da sua mãe, Simone, foram determinantes, para torná-lo o garotinho saudável e feliz que ele é hoje.

“Ele é um vencedor. Sobrevivente desde o meu ventre. Ele foi um presente” – relata Simone.

Após o nascimento, o Marcos ainda teve que lutar bravamente diante de outras circunstâncias, relacionadas à sua saúde, além de um período em que a própria Simone adoeceu, o que tornou-se angustiante, uma vez que a mãe pensava apenas em voltar para casa, para cuidar do seu bebê. 

“Depois desse episódio, mudei muito em relação ao que achava importante e percebi que o mais importante era ele ser feliz. Hoje ele é assim, feliz, carismático, lidera sem falar, comunica da forma que se faz entender.”

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E qual a relação de Charles Chaplin com a história do Marcos Filho? Onde essas duas existências se cruzam? Eis que surge a principal motivação deste post e quem responde é a própria Simone:

“A escolha de homenagear Chaplin, foi devido ser cinema mudo e a ausência de som de palavras do meu filho, levou à época dele. A ideia foi minha e em um só dia consegui a roupa, fiz os cartazes e a filmagem e edição foram feitas por duas pessoas, daqui da minha cidade. O Marcos Filho adora desfilar, tirar fotos e ser filmado, desde pequeno. Não meço esforços para poder sempre levá-lo a locais que possa participar.”

Simone é só elogios ao filho. Certamente toda a evolução que o pequeno Marcos vem tendo é resultado de muita dedicação desta mãe, que constrói o seu futuro junto ao do seu filho amado. Ao Marcos Filho, desejamos muita saúde e que ele possa, em breve, nos mandar um alô e contar das coisas incríveis que ele anda fazendo em sua vida.

É bastante  interessante como o legado artístico e humanístico de Charles Chaplin ainda permeia o imaginário das gerações que o precederam. E ainda mais interessante que essa mensagem, na maioria das vezes, foi compartilhada sem nenhum som. Apenas com a linguagem do coração.  Viva Chaplin!

Saiba mais:

Filme Cromossomo 21

Movimento Down

Entre criadores e criaturas

Por Diogo Rossi Ambiel Facini

       É notório que Charles Chaplin foi extremamente influente ao longo da história do cinema. O ator/diretor ajudou a desenvolver e a estabelecer algumas das principais características da sétima arte. No entanto, sua marca foi além: ao longo do tempo, ela foi se manifestando na obra de outros criadores. Conforme o cinema ia avançando, novas e novas gerações se apropriavam de algo do criador de Carlitos, e também iam, ao seu modo, abrindo novos caminhos e possibilidades para o cinema. Outro ponto importante dessa presença é a sua extensão: Chaplin influenciou de gregos a troianos, ou no caso do cinema, de clássicos a modernos, cada um estabelecendo um diálogo diferente com os seus filmes.

      Porém, antes de influenciar, Chaplin também foi influenciado. Essa influência na obra do pai de Carlitos pode ser encontrada desde em elementos mais gerais, como em alguns elementos do personagem, até em elementos mais específicos, como em temas e ideias para seus filmes. E é aqui que este texto efetivamente começa. Uma obra específica influenciou significativamente um dos filmes mais importantes de Chaplin. Essa influência é notória e polêmica, já que levou até mesmo a um processo de plágio. Trata-se de um fato conhecido, que pode ser consultado nas principais biografias sobre o diretor inglês. Como ocorreu essa influência? Em que elementos do filme de Chaplin ela pode observada? São essas questões que tentarei discutir nas próximas linhas. Os filmes? A nós a liberdade e Tempos Modernos.

Pôster de “A nós a liberdade”

            A nós a liberdade (À nous la liberté) é um filme de 1931, dirigido pelo francês René Clair. Trata-se de uma comédia com alguns números musicais, algo comum nessa época inicial do cinema sonoro/falado. A obra traz dois personagens principais, Émile e Louis. Ambos estão inicialmente presos, mas logo executam um plano de fuga. Infelizmente seu plano não dá tão certo, e Émile acaba por sacrificar suas possibilidades de fuga para que o amigo consiga escapar. Com isso, somente Louis foge da prisão. Enquanto Émile estava preso, Louis tinha conseguido manter sua identidade de fugitivo oculta; iniciou um negócio de discos, e agora era um rico e poderoso dono de uma fábrica de vitrolas. Quando Émile é solto da prisão, uma parte desse passado não tão “respeitável” de Louis volta à tona, e muitas confusões e fatos cômicos ocorrem…

Émile e Louis, em “A nós a liberdade”

           Até aqui tudo bem. Mas onde está a influência sobre o filme de Chaplin?

       Em primeiro lugar, ela pode ser observada em um sentido mais amplo, relacionado a alguns temas mais gerais que permeiam a obra. Em A nós a liberdade está presente a questão do controle dos indivíduos, primeiro na prisão, depois no trabalho na fábrica. O filme lida com os impactos trazidos com a modernidade, uma modernidade que tende a pensar cada vez mais em um aumento de produtividade a qualquer custo. O título da obra não é sem razão: de forma leve e cômica, o filme apresenta a luta de alguns indivíduos para sobreviverem nessa então nova sociedade, que tendia a diluir cada vez mais as identidades em favor de uma massa de trabalhadores.

A vida na prisão, em “A nós a liberdade”

            No entanto, a influência mais notável de A nós a liberdade (que talvez tenha sido a maior justificativa para a acusação de plágio) pode ser observada não nesses aspectos mais amplos do filme, mas sim em alguns momentos específicos, que podem ter fornecido ideias para algumas situações cômicas de Tempos Modernos. Principalmente em duas sequências, que apresentam de algum modo as configurações do trabalho dessa nova etapa do capitalismo: primeiramente a sequência da prisão, que mostra os detentos “fabricando” brinquedos, mas o destaque de fato deve ir para a segunda sequência, na fábrica de vitrolas; principalmente uma pequena cena, que deixou explicitamente as suas marcas em Tempos Modernos.

A linha de montagem em “A nós a liberdade”

          Nessa sequência temos uma linha de montagem na produção das vitrolas: cada trabalhador, disposto em sequência, deve efetuar uma função bastante específica repetidamente, o que, no conjunto das atividades, formaria o produto final. Lembrou-se de algo? Bom, até aí não podemos fazer grandes afirmações, já que se trata da descrição de uma linha de montagem, e outros filmes podem fazer uso desse “espaço” fílmico. No entanto, a influência começa no enquadramento da câmera, que captura os personagens de um ângulo relativamente parecido; além disso, em ambas as produções ela se movimenta lateralmente para captar a continuidade da linha de montagem. E a influência é mais clara ainda no desenrolar das ações. O personagem Émile é o primeiro trabalhador da “fila” de produção. As peças seguem em um fluxo constante, o que o obriga a agir rapidamente. Mas Émile se distrai, o que faz com que corra para a posição seguinte, onde está outro operário; este por sua vez, devido ao ocorrido, corre ao companheiro do lado, juntamente com Émile, já que também havia perdido o tempo de ação. O companheiro do lado também se atrasa, e assim vão todos os trabalhadores, como em uma bola de neve, tentando recuperar o tempo (e o serviço) perdido, até se juntarem em uma massa confusa e desesperada ao fim da linha. Aqui pode ser estabelecida uma relação direta com uma das cenas de abertura de Tempos Modernos. Carlitos, não conseguindo realizar o seu trabalho no tempo previsto, corre atrás das peças, atrapalhando os outros trabalhadores, e sendo, ao fim, “engolido” pela máquina.

A linha de montagem em “Tempos Modernos”

            Mesmo que haja essa relação clara entre as sequências de A Nós a Liberdade e Tempos Modernos, devemos destacar que Chaplin trabalha essa influência, introduzindo características e desenvolvimentos próprios no seu filme. Primeiramente, o diretor centra mais a cena do seu filme na individualidade de Carlitos, ao contrário do que ocorre na obra francesa, que envolve os trabalhadores em um conjunto. Além disso, Chaplin leva o “atraso” na linha de montagem a uma conclusão mais radical, já que o personagem está tão imerso no mundo da produção que é devorado por ele, na memorável cena em que Carlitos passa pelas engrenagens da máquina, um dos momentos mais lembrados de sua filmografia. Chaplin discute a relação entre homem e máquina, assim como os efeitos dessa nova forma do capitalismo industrial, de maneira mais crítica e mordaz do que em A nós a liberdade, filme que traz inclusive uma conclusão mais apaziguadora nesse sentido, mostrando um mundo em que as máquinas servem e ajudam os trabalhadores. Além disso, mesmo essa temática da luta pela sobrevivência em uma nova sociedade é desenvolvida de modo distinto nos dois filmes: na obra de Chaplin as questões são colocadas de maneira mais explícita, o que inclui as menções à quebra da Bolsa de Valores de Nova York de 1929 e ao desemprego generalizado que caracterizava os Estados Unidos da época.

Em “A nós a liberdade”, Émile é forçado a trabalhar para não ir preso por vagabundagem

            O que talvez seja mais interessante nessa questão, algo que ajuda a compreender melhor esse fenômeno das influências, é que as relações entre as obras dos dois autores também se deram em sentido inverso. Em outras palavras: a obra de Charles Chaplin influenciou significativamente o filme A nós a liberdade. Que René Clair era admirador de Chaplin é fato conhecido. No entanto, podemos ir um passo além e observar em que medida essa influência de Chaplin ocorreu nessa obra de Clair, ou seja, como o filme que influenciou Chaplin foi antes influenciado por ele.

Os efeitos do trabalho são mais nocivos em “Tempos Modernos”

           Podemos dizer que essa influência, agora de Chaplin sobre Clair, se manifesta principalmente em três elementos.

           Em primeiro lugar, devemos constatar que a presença de temas sociais e políticos na obra de Chaplin, ou, em outros termos, a mistura de temas considerados “sérios” com o discurso cômico, não surgiu no filme Tempos Modernos. Ela aparece explicitamente em outras obras anteriores relevantes do cineasta, como O Imigrante, Ombro, Armas e Em Busca do Ouro, e indiretamente em praticamente todas as suas produções. Desse modo, é bem provável que essa temática política de A nós a liberdade apresente relações diretas com a obra anterior do pai de Carlitos.

Carlitos sofre com as máquinas

         Além disso, há no filme francês uma forte presença da comédia pastelão (slapstick), caracterizado principalmente pelas perseguições e correrias. Está certo que esse tipo de comédia não é exclusivo de Chaplin e que ele não o inventou, mas em alguns gestos a proximidade é mais clara. Podemos citar o famoso chute no traseiro, que também não é exclusivo de Chaplin, mas que é fortemente identificado com o seu trabalho, principalmente nos seus curtas e médias-metragens. É curioso observar que esse filme é, em muitos momentos, silencioso; fora as eventuais canções, a obra apresenta poucas falas. De um modo geral, o humor do filme é quase que totalmente visual.

Louis às vezes se cansa de sua nova vida, em “A nós a liberdade”

         E por fim, a maior criação de Chaplin também não passaria despercebida. Carlitos exerce grande influência principalmente na construção e caracterização do personagem Émile. É difícil reunir em poucas palavras o que seria o adjetivo chapliniano, mas muito do que se refere a ele está presente aqui, formando o personagem: uma mistura de esperteza e inocência; uma preocupação quase única com o instante, que leva a atitudes heróicas ou absurdas, tudo ao mesmo tempo; um sentir-se deslocado do mundo, mas sempre correr atrás dele; uma paixão pela vida, que leva a um enfrentamento das adversidades… E por aí vai, mas talvez só assistindo para compreender.

O lado “vagabundo” de Émile, em “A nós a liberdade”

        Chaplin se alimenta de Clair. Clair se alimenta de Chaplin. Que se alimenta de Clair. Que se alimenta de Chaplin. Nesse banquete de influências e diálogos, a que conclusões podemos chegar? Talvez não muitas, mas talvez esse nem seja o objetivo mesmo. De qualquer modo, podemos notar que, além de discussões jurídicas, além de intrigas e polêmicas, temos o cinema. O cinema que se faz, se renova, dialoga com a sua história e com os seus criadores. O cinema que é feito de filmes, que são feitos de outros filmes, que são feitos de outros filmes. Fora isso, talvez não haja mais nada. Ou, quem sabe, haja ainda mais filmes.