Archive for category Textos
1… 2… 3! Viva! Parabéns, Charlie!
Publicado por Hallyson Alves em Aniversário, Exclusivo, Notícias, Textos, Vídeos, Youtube em 15/04/2012
Em 16 de abril de 1889, nascia Charles Spencer Chaplin…
…mas essa história você já deve ter visto aqui no Blog Chaplin. O que faremos hoje, além de noticiar essa data marcante na história do mundo artístico, é fazer algo diferente.
Hoje, o post dos 123 anos de Charles Chaplin – e o 100º post do Blog chaplin, será feito por nossos leitores, que nos enviaram suas homenagens via e-mail, além das diversas correspondências que recebemos ao longo do ano. Foram frases, textos, fotografias, vídeos, desenhos… Uma demonstração de carinho que só nos confirma o quanto Charles Chaplin ainda toca as emoções das pessoas, até hoje.
Parabéns, Carlitos!



“Chaplin para sempre nos corações de quem começou a amar o cinema por causa da expressão no olhar, sem precisar de nenhuma palavra, tudo era transmitido por suas atitudes, gestos e olhares. Muitas lições tivemos com o mestre, pois quem ensina algo é mestre e a nós ele ensinou a termos emoção em frente a tela de cinema.”
Viviane Pereira Amaral Goiânia – Goiás







“Chaplin foi um dos precursores do cinema Mundial. Teve a graça, a sabedoria,e beleza da expressão apenas num olhar ou gesto sem que fosse necessário o uso das palavras,seu encanto e magia contagiou à crianças e adultos e o tornou o grande ator de todos os tempos. Por isso, Chaplin vive pra sempre nos corações dos eternos amantes de sua obra…”
Rosilda Silva de Sá - Jaraguá/SP

“Chaplin foi uma celebridade com talentos infinitos e o principal de tudo isso foi que ele fez sorrindo!”
Thiago Lopes – Rio de Janeiro/RJ

1… 2… 3! Viva! Congratulations, Charlie!
In April 16th, 1889, Charles Spencer Chaplin was born…
…but this part of his history, you may have read here in the Blog Chaplin. Today, besides reporting this outstanding date in the artistic world history, it is do something different.
Today, the Charlie Chaplin 123rd birthday post is the 100th post of Blog Chaplin is done by our readers, who have sent us their tributes through e-mail, in addition to several mailing we have received throughout the year. They were quotes, texts, photos, videos, drawings… A demonstration of affect which confirm us how much Charlie Chaplin still touch people nowadays.
Happy Birthday, Charlie!
Lady Dell – Santos/SP
“Forever, Chaplin is in the hearts of those who began to love the movies because of the expression in his eyes, without any word. Everything was trasmitted by his attitudes, gestures and glances. Many lessons we had with the master because the one who teaches something is a master and he taught us how to have emotion before the cinema screen.”
Viviane Pereira Amaral Goiânia – Goiás
“So noisy in his silence as slices of bread dancing on a table, the simplest tramp of the cinema history perpetuates Chaplin forever.”
Christian Farias de Avila - Camaquã/RS
“Chaplin. Dreams in Black and White to build a life full of tones and emotions.”
Carla Pontes – São José dos Campos/SP
Geniuses do not die ever, much less get older. Therefore, Chaplin will always be present illuminating our lives with his unique presence.”
Andrea de Mendonça Soares – São Gonçalo/RJ
“Chaplin was one of the precursors of World Cinema. He had the grace, wisdom, and beauty of expression just in a glance or gesture without that it was necessary to use words, his charm and magic infected children and adults and made himself the great actor all times. Therefore, Chaplin lives forever in the hearts of the eternal lovers of his work …”
Rosilda Silva de Sá - Jaraguá/SP
“Chaplin was a celebrity with endless talent and the main of all this he did everything smiling!”
Thiago Lopes – Rio de Janeiro/RJ

60 anos de Luzes da Ribalta
Publicado por Hallyson Alves em Exclusivo, Filmografia, Notícias, Vídeos em 21/03/2012
Há 60 anos (mais precisamente em outubro de 1952), Charles Chaplin lançava o filme “Luzes da Ribalta”, aquele que contava um drama ao qual o próprio Chaplin temia: A História de um famoso artista de outrora, que é abandonado pelo seu público e vive das lembranças do que um dia já foi. Certamente é um dos filmes mais comoventes do artista, que conta, ainda, com a presença do seu “rival” Buster Keaton, numa cena memorável.

Claire Bloom e Chaplin, em Luzes da Ribalta (1952)
Mas o drama de Charles Chaplin não se limitou apenas à ficção: Durante sua viagem à Londres, em 1953, no intuito de lançar o filme na sua terra natal, Charles Chaplin recebe um comunicado do governo dos EUA, informando que ele não teria permissão de retornar à “terra da liberdade”. A notícia atingiu em cheio o artista, que passou a viver no exílio, com sua família, em Vevey, na Suíça, até a sua morte.
Visando destacar esse ano como o 60º aniversário de “Luzes da Ribalta”, o Arquivo N, da Globo News, publicou uma reportagem sobre a vida e obra de Chaplin, destacando o início da sua carreira até a produção do filme que marcou o encerramento da sua vida na terra do Uncle Sam.
A jornalista Denise Barbosa, da Globo News, entrou em contato conosco, do Blog Chaplin, para que pudéssemos gravar um bate-papo sobre a temática, entretanto, infelizmente não pudemos nos fazer presente, mas nos colocamos a disposição para ajudar no que fosse preciso. Ficamos muito honrados com o convite e felizes pelos elogios ao blog, nos confirmando que estamos no caminho certo. Transferimos parte desses elogios à todos os leitores do Blog Chaplin.
Abaixo vocês poderão conferir o vídeo realizado pela equipe do Arquivo N. Não aparecemos nos créditos, mas pelo menos ficou a confirmação de que alcançamos a visibilidade de um dos grupos de comunicação mais importantes do país (embora nem tudo concordamos com eles…rs).
Charlie Chaplin contra a máquina
Publicado por Hallyson Alves em Artigos, Textos em 14/12/2011
Quando o filme Tempos Modernos chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro há quase 10 anos. Durante todo esse tempo, o “vagabundo”, personagem que conhecemos como Carlitos, criado por Charlie Chaplin — que compartilhou nas primeiras décadas do século XX o infortúnio dos desvalidos, que viam nele uma identificação com suas geniais performances —, ficou sem aparecer nos cinemas.
No intervalo do seu último filme, Luzes da Cidade, e o lançamento de Tempos Modernos, Chaplin amadureceu a ideia de que o “vagabundo” não iria transitar no mundo do cinema sonoro. Decidiu, então, que Tempos Modernos seria o último filme do personagem.
O mundo tinha mudado muito nessa época, e já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir. Em 1931, Chaplin tinha feito uma turnê pela Europa e viu que os males que afligiam a economia americana — a recessão e o desemprego — estavam presentes em todo lugar. Viu, também, que os capitalistas europeus, a exemplo dos americanos, buscavam superar a crise através de alterações no processo produtivo, adaptando-se aos novos tempos, racionalizando cada vez mais a produção. Os conceitos de Henri Fayol e Frederick Taylor, de racionalizar as operações de trabalho, levariam a um considerável ganho de produtividade, reduzindo o custo unitário dos produtos e ampliando a margem de lucro através de implementos que tiveram seu ápice com alinha de montagem fordista. Isso encantava os empresários. A aplicação dessas ideias resultou no desemprego de milhões de pessoas, contribuindo para acelerar o confronto dos países capitalistas através da guerra. O conflito aliviaria as tensões sociais internas e abriria as portas para novos mercados.
Retornando aos Estados Unidos, vivamente sensibilizado com essas questões, Charlie Chaplin tomou a decisão de fazer um novo filme, onde retrataria esse novo mundo. O cineasta sempre teve uma visão diferente daquela que estava sendo construída pelas elites econômicas da burguesia liberal. Sua Utopia era uma sociedade mais justa, com pleno emprego, sem a violência do Estado, com a felicidade ao alcance de todos, sem o racionalismo científico que tirava do ser humano a sua essência humanista, procurando transformá-lo em máquina. Eram ideias que ele procuraria sintetizar mais tarde, na cena final seu próximo filme, lançado já em plena guerra: O Grande Ditador.
Em Tempos Modernos, Chaplin nos mostra o “vagabundo” — antípoda da sociedade moderna racionalizada — às voltas com a linha de montagem fordista, em um ambiente asséptico, científico, controlado e não menos cruel. Numa cena clássica, vemos o nosso herói ser sugado, literalmente, pelas engrenagens das máquinas industriais, sem condições, portanto, de se adaptar a linha de produção, e por isso mesmo, levado a loucura.
Nesses novos tempos, mais do que nunca, a competição econômica forçaria as empresas a buscarem a eficácia, revolucionando o trabalho, a técnica e os produtos, que adiante voltam a competir e a serem revolucionados, em um processo contínuo e infindável. Noutras palavras: estaria na lógica da produção de mercadorias a obrigatoriedade das empresas a racionalizarem o desenvolvimento das suas forças produtivas. Isso exige, além da técnica, um operário totalmente adaptado a essa nova forma de produção — o que evidentemente não é o caso do nosso “vagabundo”. Por isso, não é sem sentido que Chaplin começa seu filme com a imagem de um rebanho de carneiros em marcha, saindo de uma fábrica: a indústria precisa de máquinas, sem vontade própria, seguindo os ditames da linha de montagem. Quem não se adaptar perde o emprego.
Os sindicatos se veem obrigados a afrontar diretamente a situação, e através das manifestações e das greves buscam melhores condições de trabalho para seus associados. Nesse contexto, nosso herói acaba sendo envolvido pelo turbilhão dos movimentos grevistas: é preso pelas malhas do Estado e dominado pelas forças da burguesia industrial.
Nesse momento, vemos também, que o próprio Estado mudou. Racionalizando-se e se adaptando aos novos tempos, exige um comportamento da sociedade dentro de parâmetros legais de uma nova ordem. No filme, houve uma cena — que mais tarde foi retirada — onde o “vagabundo” causa a maior confusão por não se adaptar à ordem que todos devem ter para atravessar um sinal de trânsito numa esquina super movimentada, confundindo-se com os semáforos que continuamente dão ordem para seguir ou parar. Perseguido pelo guarda, é obrigado a fugir.
Situações como essa vão se repetindo em diversos momentos do filme: o “vagabundo” e sua amada — interpretada pela jovem Paulette Goddard
— preocupando-se em passar todo o tempo na busca de trabalho e de uma vida melhor, driblam as dificuldades da pobreza, alternando-se em momentos de liberdade ou prisão.
Tempos Modernos mostra também a racionalização do comércio, fazendo com que o casal passe uma noite em uma loja de departamentos, precursora dos nossos conhecidos shoppings centers, onde nossa heroína delicia-se em experimentar casacos de vison, acabando por adormecer em uma cama exposta para venda.
No fim, eles conseguem emprego quando alguns empresários, observando a forma natural como Paulette dança em plena rua, oferecem-lhe a oportunidade de se transformar em bailarina, que ela aceita, mas com a condição de que também haja emprego para seu companheiro de ruas. Chaplin transforma-se em cantor e bailarino e, num inusitado desempenho, nos brinda com um número-música impagável, onde pela primeira vez podemos ouvir a voz do “vagabundo”.
Tempos Modernos não somente é uma obra de arte, como é a obra prima de Charlie Chaplin. Mostra o seu amadurecimento como cineasta dentro de uma vasta galeria de excelentes filmes. No filme, Chaplin já anuncia os rumos que a humanidade irá tomar após o final da II Grande Guerra, com a hegemonia do American way of life, ou seja, a forma de ser do capitalismo americano, que seria implantado no mundo, garantido pela Pax das suas forças armadas.
Seu roteiro nos toca pela clareza e momentos poéticos, mesmo que o retratado seja a crueldade do sistema capitalista, que reduz os homens a simples máquinas para serem consumidas e descartadas. Seus personagens — principalmente o “vagabundo” e a pequena órfã, de Paulette Goddard — nos mostram um otimismo tocante, num quadro onde a todo o momento tentam esmagá-los e reduzi-los a nada: são as engrenagens de uma sociedade cruel, que gera riquezas mas, ao mesmo tempo, exclui completamente aqueles foram os seus geradores.
Porém, eles não se deixam abater e seguem em frente na busca da felicidade a que todos os seres humanos têm direito. Trata-se de um filme otimista, que aponta para um futuro de uma vida diferente. A música Smile, composta por Charlie Chaplin, nos evolve e nos dá a certeza de que vida-vivida pode existir, mesmo na adversidade. Não é por acaso que o “vagabundo” de Chaplin é cultuado e amado por todas as gerações no mundo inteiro.
O texto acima foi produzido pelo professor de História Arlindenor Pedro, que consentiu com a publicação do mesmo no Blog Chaplin. Arlindenor é ainda consultor de Projetos Educacionais e de acordo com a sua biografia, foi anistiado por sua oposição ao Regime Militar no Brasil, instalado na década de 1960.
Era Chaplin ateu?
Publicado por Hallyson Alves em Curiosidades, Facebook, Textos em 22/10/2011
Não. Apesar de encontrarmos várias referências na internet afirmando tal posição, nenhuma delas merece legitimidade.
Há alguns dias uma entidade ateísta brasileira anda divulgando um cartaz (sendo disseminado principalmente nas redes sociais, a exemplo do Facebook) que mostra duas fotos, lado a lado, onde, de um lado está Charles Chaplin (como ateu) e do outro, Adolf Hitler (como católico). Logo acima, a frase: “Religião não define caráter”. Claramente vemos a proposta da entidade de afirmar que, ao contrário de Chaplin – que supostamente era ateu e não cometeu tanto mal – Hitler, que se dizia religioso, foi o responsável por tamanha maldade para muitos.
Mas há um equívoco nessa afirmação, sobretudo quando se atribui a figura de Chaplin ao ateísmo. Quanto a Hitler, deixou evidências que foi criado e batizado na igreja católica – ainda que a partir do Nazismo, tenha criado sua própria religião (ou ideologia).
Não propomos aqui fazer juízo de valores, ou seja, acusar ou defender qualquer posição religiosa ou ideológica, entretanto, registramos uma nova abordagem de acordo com o próprio histórico deixado pelo artista.

Cartaz que vem sendo compartilhado pelos membros do Facebook
Em nenhum momento da sua história – registrada ou não em sua biografia – Charles Chaplin se coloca como ateu. Isso é fato.
No portal Entre Textos, Miguel Carqueija nos sugestiona para um lado um tanto cristão do artista, principalmente quando observam-se alguns dos seus vários filmes:
A obra de Chaplin, de forma implícita, já transmite humanismo cristão. Mas há alguma coisa explícita. Num clássico de 1921, “O garoto” (The kid), podemos assistir uma cena tocante: Carlitos incentivando o garotinho (que ele encontrara como um bebê abandonado, e adotara informalmente) a rezar as orações da noite.
Em “O grande ditador” (“The great dictator”, 1940) o protagonista, um barbeiro judeu (também interpretado por Chaplin e que guarda traços do vagabundo), declara no célebre discurso final: “No décimo sétimo capítulo do Evangelho de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem — não de um só homem ou grupo de homens, mas de todos os homens.” Noutro trecho, em tom de crítica, observa: “nossos conhecimentos tornaram-nos céticos” (isto é, descrentes).
Em outra ocasião, numa entrevista concedida em 1940, diante do questionamento de críticos que se preocuparam em tentar desvendar se Chaplin era de origem judaica, ele respondeu: “Eu me sentiria orgulhoso de ser judeu, mas não possuo uma gota sequer de sangue judeu”. Teria dito outro dia “As duas personagens que eu mais desejaria recriar em um filme seriam Napoleão e Jesus Cristo”.
Em “O Pensamento Vivo de Chaplin“, publicação muito conhecida que reúne alguns dos principais pontos sobre a vida de grandes mestres do pensamento mundial, a exemplo de Einstein, Freud, Gandhi, Marx, Netzsche, Darwin, Buda, entre outros, encontramos uma passagem interessante, na qual Chaplin diz:
À medida que vou envelhecendo, mais me preocupa a questão da fé. Ela está em nossa vida bem mais do que supomos e inspira as nossa ações bem mais do que a imaginamos. Creio que a fé é precursora de todas as nossas idéias. Sem fé não teríamos criado hipóteses, teorias, ciência ou matemática. Penso que a fé é uma extensão do espírito. É a chave que abre a porta do impossível. Negar a fé é refutar a sim mesmo e ao espírito que gera todas as nossas forças criadoras.
E ainda:
Minha fé é no desconhecido, em tudo que não podemos compreender por meio da razão; creio que o que está acima do nosso entendimento é apenas um fato em outras dimensões e que no reino do desconhecido há uma infinita reserva de poder.
Como vimos, se em nenhum momento Chaplin falou que era religioso, pelo menos sobre ser ateu também nada mencionou.
Referências:
CLARET, Martin. O Pensamento Vivo de Chaplin. São Paulo, Martin Claret Editores, 1984.
http://www.portalentretextos.com.br/colunas/anexos-da-realidade/deus-e-charles-chaplin,248,6691.html Consulta em 22/10/2011.
Enfim, Carlitos!
Publicado por Hallyson Alves em Artigos, Textos em 21/07/2011
[...]
James Agee
No jantar, aquela noite, como em tantas outras vezes, seu pai disse:
- Bem, que tal ir a um cinema?
Mas sua mãe disse:
- Oh, Jay! Mas que homenzinho horrível!
Seu pai perguntou, não porque não soubesse o que ela iria dizer, mas para fazê-la dizer:
- O que você tem contra?
- E ela disse o que dizia sempre:
- Ele é desagradável, tão vulgar! Com sua horrível bengalinha, sempre a levantar saias e tudo mais, e aquela sua repugnante maneira de caminhar!
Seu pai riu como ria sempre nesses casos e Rufus dizia que a brincadeira ia render muito; mas, como sempre, ao mesmo tempo o riso o reconfortava. Ele achava que seu pai o metia no jogo.
Andaram em direção à cidade baixa sob uma luz nacarada até o Majestic, e sentaram-se à luz da tela, ao cheiro inebriante de fumo azedo e de suor rançoso, de roupas de baixo e patchuli. O piano tocava com alegria enquanto os cavalos galopavam, levantando uma grande nuvem de poeira. E era William S. Hart, cara de cavalo e lábios à frente, cuspindo fogo pelas duas bocas de seus fuzis e a planície saltando atrás dele como o mundo inteiro. Depois ele lançou um convite confuso a uma moça e o cavalo levantou as narinas e todo mundo riu, depois uma cidade encheu a tela, depois o chão de uma alameda, uma longa fileira de palmeira e por fim, Carlitos; todo mundo ri logo que ele aparece, pés para fora, joelhos separados, como se tivesse medo de se esfolar, e o pai de Rufus riu, e Rufus também. Desta vez, Carlitos roubava um saco cheio de ovos e à vista de um policial escondeu-os nos fundilhos da calça. Aí percebe um moça bonita e começa a se ajoelhar e a girar sua bengala, fazendo caretas idiotas. Ela sacode a cabeça e se afasta com o queixo desdenhoso e a boca mais que afetada, e se esforça muito para segui-la, fazendo piruetas com sua bengala, o que fazia tudo mundo rir, mas ela nem prestava atenção. Por fim, ela pára numa esquina para esperar o bonde, dando-lhe as costas, como se ele não estivesse lá. Depois de ter tentado, por um momento, chamar sua atenção e não conseguindo, ele se vira para o pública, levanta os ombros e começa a fazer tudo como se ela não estivesse lá. Depois de sapatear no mesmo lugar durante um instante, para mostrar que não se incomoda, retomou sua primeira ideia e, com um charmoso sorriso, dá um piparote no seu chapéu-coco; mas ela fica impassível, balança de novo a cabeça, e todo mundo ri. Então ele começa a ir e vir atrás dela, bem devagarzinho, olhando-a e dobrando um pouco os joelhos, e todo mundo ri mais; depois ele faz viravoltas com a bengala, e com a extremidade curva ele levanta as saias da moça, da mesma forma que desagrada mamãe, e ele olha suas pernas com avidez e todo mundo gargalha. E ela acocora e sobe a calça, de novo levanta a saia da moça, tão alto que se vê a calcinha, com babados como as pregas das cortinas e todo mundo gargalha e, furiosa, ela se vira bruscamente e dá-lhe um soco no peito, e ele se senta com as pernas esticadas, sentindo-se mal, e todos gargalham outra vez; e ela se afasta ao longo da rua, com ar altivo, esquecendo o bonde e “como ela estava enraivecida”, como dizia meu pai, alegremente; e eis Carlitos, com o traseiro no chão, e com ar repugnado; bem se vê que se lembrara dos ovos, e logo nos lembramos também. A cara que ele consegue fazer, lábios contraídos sobre os dentes, com um sorrisinho enojado, nos dá total impressão de sentir os ovos quebrados na calça, e o belo terno de piquê branco, quando os ovos quebrados deslizaram pelas pernas da caça e pelas meias, e ao se sentir envergonhado e engraçado ele teve de voltar para casa. As pessoas que viam o filme riam e o pai de Rufus morria de rir agora, como todo mundo, e Rufus, que tinha pena de Carlitos, pois havia passado recentemente por situação idêntica, também contagiou-se e ria, por sua vez. Então foi ficando mais engraçado quando Carlitos se levanta do chão com cuidado, expressão cada vez mais enojada, dedos curvados como se estivesse muito sujos para tocá-lo, e afasta da pele o tecido lambuzado. Em seguida, ele remexe atrás e puxa o saco de ovos quebrados todo pegajoso e abre o saco e dá uma olhadela. Pega um ovo quebrado e parte a casca em duas, e achando isso repugnante, pega a gema e passa-a de um lado da casca para o outro, depois larga tudo, tremendo, dá mais uma olhadela dentro do saco e tira um ovo intacto, todo melado de gema, e o enxuga bem na manga do casaco. Olha-o bem e depois embrulha-o no lenço sujo e coloca cuidadosamente no bolso do paletó justo. Aí, pega a bengala debaixo do braço, apóia-se nela com autoridade e, num último olhar para o público, ainda enojado, mas com bom humor, sacode os ombros, dá-nos as costas e chuta para trás com os enormes sapatos os ovos quebrados e o saco pegajoso, tudo como um cachorro teria feito, e dá um olhar por cima dos ombros naquela sujeira toda (o que fez todo mundo rir muito) e começa a se afastar, arrastando os pés; a cada passo sua bengala dá uma volta, ele parece que vai se dobrar sobre si mesmo, joelhos afastados mais do que antes, e coloca sem parar a mão esquerda nos fundilhos da calça, e se balança num pé e no outro, e remexe por toda a calça, depois pára e se sacode como cachorro molhado, voltando em seguida a caminhar; enquanto a tela se fecha sobre sua silhueta insignificante num brusco círculo de escuridão, nesse momento o pianista tocou outra melodia e apareceu a publicidade em cores. Eles ficaram sentados até o meio do filme de William S. Hart para saber por que, ao certo, ele havia matado o home do paletó estampado – como eles esperavam, por causa da expressão assustada e exaltada que ela tivera uma vez feita a execução, era por que ele havia insultado a moça e ainda explorado o pai – e o pai de Rufus disse: “Bem, é aí que devemos ter chegado”, mas eles viram matar o homem uma segunda vez; depois, se foram.
Ainda era cedo, mas a noite já havia caído completamente. A rua Gay estava cheia de gente com ar preocupado, e muitas vitrinas estavam ainda iluminadas. Pessoas de gesso, em atitudes nobres, vestiam com aprumo roupas novas e intocáveis.
Une mort dans la famille (Uma morte na família)
Bibliografia
PRIEUR, Jerôme. O espectador noturno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. Pp 127-130.
25 de dezembro de 1977
Publicado por Hallyson Alves em Textos, Vídeos, Youtube em 18/12/2010
Olá pessoal. Depois de um último trimestre super puxado e sem tempo para escrever aqui como eu realmente gostaria, venho realizar mais uma homenagem do Blog Chaplin ao nosso eterno Carlitos, uma vez que o mesmo faleceu na noite de Natal do ano de 1977. Segundo aqueles que estiveram presentes nos últimos dias de Chaplin, o mesmo passou o seu último dia tranquilo, na sua mansão em Vevey, Suíça, tendo morrido enquanto dormia.
Mas não iremos fazer deste último post do ano uma escrita com um clima de tristeza, que seria o oposto da personalidade de Chaplin, pelo contrário, como entusiasta de Charles Chaplin que sou, quero lembrar com alegria, sempre, desse artista completo que alegrou o mundo inteiro com seu jeito inocente e carismático de ser.
Selecionei, então, um vídeo que mostra as várias facetas de Charles Chaplin, tanto em cena como na vida real. E aproveito a oportunidade para agradecer à vocês, caros leitores, por esses 3 anos em que vocês têm acompanhado o Blog Chaplin. Um 2011 cheio de alegria, paz, amor e prosperidade para todos.
Vamos ao vídeo:
Charlie Chalin: O Pequeno Vagabundo
Publicado por Hallyson Alves em Textos em 10/07/2010
Mais de setenta anos após a sua última aparição no grande ecrã, o Pequeno Vagabundo de Chrles Chaplin permanece como ícone máximo não só do cinema mas também do século vinte 0 reconhecido e adorado por todo o mundo. Se pode existir uma explicação par este sucesso único com um público universal, será certamente a sua capacidade de transpor para a comédia as ansiedades e preocupaç~çoes fundamentais da vida h umana – um reflexo das suas próprias experiências de vida. Nascido em Londres, filho de dois cantores do music hall que se separaram quando ele ainda era um bebê, cresceu na miséria extrema, passando parte da sua infância em instituições para ciranças destituídas. Contudo, quando tinha dez anos a sua sorte mudou radicalmente ao tornar-se um artista profissional. Trabalhos com grupos do music hall e uma oportunidade de trabalho de três anos em palco forneceram-lhe uma valiosa aprendizagem precoce na arte de representar. Os seus dotes foram aguçados pelos anos de trabalho com Fred Karno, o mais brilhante empresário de comédia d musc halls britânicos.
Durante uma digressão pelos circuitos americanos de vaudeville foi descoberto e contratado pelos estúdios Keystone de Mack Sennett. Rapidamente se apercebeu de que para realizar completamente o seu próprio estilo de comédia os filmes, teria de ser o seu próprio realizador. Ele aprendeu a dominar a sétima arte com uma velocidade incrível, e após os primeiros três meses já dirigia todos os seus próprios filmes. Continamente em busca de maior independência, bem como de maiores salários, saiu da Keystone para as companhias cinematográficas Essanay e Mutual. Nos primeiros quatro anos do grande ecrã, evoluiu do principiante despreocupado das comédias da Keystone, passando pela ironia e o sentimento, até chegar às obras primas da Mutual que incluem a The Pawnshop, Easy Street e The Immigrant.
Em 1918, um acordo com a empresa de distribuição First National permitiu-lhe o luxo de ter o seu próprio estúdio, concebido com o que havia de mais moderno na época, e com a sua própria equipe e elenco permanentes. Aquie ele converteu os horrores da Primeira Grande Guerra em comédia com Shoulder Arms e interpretou as privações e ansiedades da sua própria infância em O Garoto (The Kid), onde encontrou o parceiro ideal em Jackie Coogan, de apenas 5 anos.
Em 1919 os quatro gigantes de Hollywood na época – Chaplin, Douglas Fairbanks, Mary Pickford e o realizador D. W. Griffith – formaram a United Artists, para distribuírem os seus próprios filmes. O primeiro lançamento de chaplin sob a chancela da United Artists foi Opinião pública (A Woman of Paris), um filme dramático concebido para a estrela Edna Purviance – a sua fiel atriz principal e amente ocasional desde 1915 – nno qual ele tinha apenas uma breve participação. Este filme brilhante foi uma revolução no estilo de comédia sofisticado, mas o único desastre de bilheteria de Chaplin. Foi rapidamente ofuscado pelo triunfo de A corrida do ouro (The Gold Rush), que demonstrava, uma vez mais, a crença de Chaplin de que a comédia e a tragédia nunca se encontram muito distantes: esta hilariante comédia foi inspirada pelas severas privações dos pesquisadores de ouro da década de 1890.
A chegada do cinema sonoro em 1927 supôs para chaplin um desafio maior do que para os outros realizadores. A sua pantomima muda tinha-lhe logrado uma audiência universal, que iria certamente estranhar ouvi-lo a falar em inglês. A resposta de Chaplin foi continuar a realizar filmes mudos – Luzes da cidade (City Lights, 1931) e Tempos modernos (Modern Times, 1936) – com a banda sonora apenas apra os efeitos sonors e o acompanhamento musical, composto por Chaplin, que ganhava assim um novo crédito para adicionar ao de produtor, realizador, argumentista e ator.
Em Tempos Modernos, Chaplin utiliza a arma da comédia para critica temas polêmicos da atualidade – como sejam a industrialização e o confronto entre o capital e o trabalho. Em O grande ditador (The Great Dictator, 1940) os seus alvos foram o fascismo e os seus líderes, os iminentes perigos da altura. Os críticos queixaram-se que o comediante estava a exceder as suas competências.
A sua amizade com intelectuais de esquerda foi sempre alvo de desconfiança por parte da direita da política estadunidense. com a Guerra Fria e a perseguição de McCarthy à esquerda política, Chaplin tornou-se um alvo preferencial.
(…)
…deixou os Estados Unidos encontrando exílio permanente na Suíça. Em Londres realizou ainda mais dois filmes: Um Rei em Nova York (The King in New York), uma sátira à paranóia política americana e A Condessa de Hong Kong (Countess from Hong Kong). Infatigável até ao final, ele publicou dois volumes autobiográficos, compôs música para os seus filmes mudos e perto do fim ainda planejou outro filme. Morreu no dia de Natal, a 25 de Dezembro de 1977.
David Robinson, no livro Movie Icons – Chaplin, Taschen, 2006.
Promoção “Chaplin para sempre”
Publicado por Hallyson Alves em Notícias, Promoção, Textos em 10/04/2009

ATENÇÃO: Por motivo de tempo e disponibilidade, mudamos o regulamento da promoção. Onde antes pedimos para o participante nos enviar um texto, agora será necessário apenas uma frase com o mesmo tema. Leia o regulamento.
No dia 16 de abril de 2009 será o aniversário de 120 anos do nascimento de Charles Chaplin. Para comemorar essa data mais que especial, o nosso Blog Chaplin lança a promoção “Chaplin para sempre”. O ganhador receberá um DVD “Chaplin – Fase de Ouro”, trata-se de um documentário inesquecível sobre a vida e obra do grande gênio do cinema de todos os tempos.
Para participar leia o regulamento:

Chaplin - Fase de Ouro
REGULAMENTO
1. DA PROMOÇÃO
“Chaplin para sempre” é um concurso cultural realizado pelo Blog Chaplin, entre os dias 16 de abril de 2009 e 30 de junho de 2009.
1.1 O participante deverá elaborar uma frase* a partir do seguinte tema: “Chaplin para sempre”;
2. DO ENVIO:
2.1 Enviar a frase até o dia 30 de junho para o e-mail: blogchaplin@gmail.com;
2.2 Ao enviar a frase, o participante colocará seu nome e endereço completo, idade e telefone para contato;
4. DA AVALIAÇÃO
4.1. Critérios de avaliação: Criatividade, originalidade, ortografia, concordância e capricho.
5. DA DIVULGAÇÃO
5.1 O resultado da promoção será divulgado no próprio Blog no dia 02 de agosto de 2009.
5.2 As três melhores frases serão publicadas no Blog Chaplin, sendo que apenas o primeiro lugar receberá o prêmio.
6. DA PREMIAÇÃO
6.1 O participante que conseguir o primeiro lugar receberá o prêmio no endereço indicado na ocasião em que enviou o e-mail, em até 10 dias após a data de divulgação do resultado da promoção.
7. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
7.1 A decisão da Comissão Julgadora será soberana e irrevogável;
7.2 Eventuais dúvidas decorrentes deste regulamento serão esclarecidas ou resolvidas pelo administrador do Blog através do e-mail: blogchaplin@gmail.com
Morre Sydney Chaplin aos 82 anos
Publicado por Hallyson Alves em Filmografia, Foto, Notícias em 21/03/2009

A morte ocorreu no dia 03 de março deste ano. Sydney Chaplin era o filho mais velho de Charles Chaplin com sua segunda esposa, Lita Grey. Assim como o pai, ingressou na carreira artística, tendo recebido o prêmio Tony por sua atuação em “Bells are Ringing”, na Broadway.

Sydney atuou com o pai, Charles Chaplin, em Luzes da Ribalta (1952).

Lita Grey, segunda esposa de Chaplin com os filhos Charles Jr. e Sydney.
Segundo filho de Charles Chaplin e sua segunda esposa, Lita Grey, Sydney Chaplin nasceu em Beverly Hills em 1926 e afirmou em entrevistas não ter conhecido muito seu pai quando criança.
Depois de servir na 2a Guerra Mundial, Sydney começou a atuar, co-fundando o Circle Theater em Los Angeles e participando de inúmeras peças e filmes.
Ele conquistou um prêmio Tony pelo musical “Bells are Ringing”, nos anos 1950, e participou do último filme dirigido por seu pai, “A Countess from Hong Kong”, de 1967.
Filmografia:
- Limelight (1952) … Neville
- Land of the Pharaohs (1955) … Treneh
- Confession (1955) … Mike
- Abdullah the Great (1955) … Ahmed
- Pillars of the Sky (1956) … Timothy
- Fours Girls in Town (1957) … Johnny Pryor
- Quantez (1957) … Gato
- A Countess from Hong Kong (1966) … Harvey
Chaplin por Truffaut*
Publicado por Hallyson Alves em Textos em 19/03/2009
*O prefácio de François Truffaut encontra-se no livro Charlie Chaplin, de André Bazin pela Editora Jorge Zahar. Eis um fragmento dele:
“Charlie Chaplin é o cineasta mais célebre do mundo, mas sua obra quase se tornou a mais misteriosa do cinema. À medida que expiravam os direitos de exploração comercial de seus filmes, Chaplin proibia a distribuição, escaldado, convém esclarecer, por inumeráveis reedições piratas, e isso desde o início de sua carreira. As novas gerações de espectadores que chegavam só conheciam O garoto, O circo, Luzes da cidade, O grande ditador, Monsieur Verdoux, Luzes da ribalta de ouvir falar.
(…)
Durante os anos que precederam a invenção do cinema falado, pessoas no mundo inteiro, principalmente escritores e intelectuais, zombavam e desdenhavam do cinema, no qual viam apenasa uma exceção, Charlie Chaplin – e compreendo que isso parecesse odioso a todos aqueles que tinham visto com atenção os filmes de Griffith, Stroheim e Keaton. Foi a polêmica em torno do tema: o cinema é uma arte? Mas esse debate entre dois grupos de intelectuais não dizia respeito ao público, que, por sinal, não se questionava sobre o tema. Com seu entusiasmo, cujas proporções são difícies de imaginar hoje – seria preciso transferir e estender o mundo inteiro o culto prestado a Eva Perón na Argentina -, o público fazia de Chaplin, no momento em que terminava a Primeira Guerra Mundial, o homem mais popular do mundo.
Se fico maravilhado, cinquenta e oito anos depois da primeira aparição de Carlitos na tela, é porque vejo nisso uma grande lógica – e nessa lógica, uma grande beleza. Desde seus primórdios, o cinema foi feito por pessoas privilegiadas, ainda que não se tratasse, até 1920, de praticar uma arte. Sem repetir o refrão, famoso desde maio de 1968, a propósito do “cinema burguês”, gostaria de observar que sempre houve grande diferença, não apenas cultural, mas biográfica, entre as pessoas que fazem os filmes e as que a eles assistem”.
Veja mais:

Charlie Chaplin, de André Bazin - Jorge Zahar Editor
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