Archive for category Curiosidades

Chaplin terá musical na Broadway

“Parece que o silêncio vale ouro, nos dias de hoje” – disse Jamie Wetherbe, ao Los Angeles Times, referindo-se sobre o sucesso do filme “O Artista”, que acumulou alguns Oscars e a mais nova notícia que envolve o cinema mudo: Charlie Chaplin terá um musical, na Broadway, ainda em 2012!

O espetáculo, cujo nome será “Chaplin” já tem estreia marcada: 10 de setembro, no Barrymore Theatre. A produção contará a história da transformação do vagabundo britânico em um astro do cinema mudo, em Hollywood.

Há dois anos, o musical teve uma temporada de testes, sob o nome de “Limelight” (alusão ao filme de mesmo nome, de 1952), no La Jolla Playhouse, em San Diego,  tendo sido muito bem elogiada pela crítica.

       

O espetáculo tem direção de Warren Carlyle, música de Christopher Curtis e história de Thomas Meehan. Abaixo, segue a propaganda de “Limelight”, realizada em 2010:

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Chapéu e bengala de Chaplin leiloados por US$ 100 mil

O chapéu e a bengala eram marcas registradas do principal personagem de Chaplin: O Vagabundo.

100 mil dólares. Esse foi o valor arrecadado em leilão, pelo chapéu-coco e a bengala do artista Charles Chaplin, em Hollywood,  no último dia 01.

A bengala de Chaplin foi leiloada por US$ 42 mil, enquanto o chapéu foi vendido por US$ 58 mil, no segundo e último dia do leilão, respectivamente.

Os acessórios leiloados, juntando-se aos grandes e velhos sapatos e o pequeno bigode, eram a marca registrada do personagem mais famoso de Charles Chaplin, também aquele que lhe deu notoriedade em todo o mundo. O Vagabundo, com ares de inocência e simpatia, conquistou plateias de todos os lugares, transformando Charles Chaplin num dos maiores artistas do cinema.

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O Gato Félix visita Chaplin, em 1923

O Gato Felix

O Gato Félix é um personagem muito conhecido na era do cinema mudo. Seu pelo escuro, olhos brancos e amplo sorriso, junto a situações surreais nas histórias que se apresentava, contribuíram para que fosse um dos desenhos animados mais conhecidos do mundo.  Félix foi o primeiro personagem de animação a alcançar um nível de popularidade considerável, tendo sido apresentado através da grande tela do cinema.

Em 1923, foi lançado pela Pet Sullivan Comic, o filme “Félix em Hollywood”, onde o travesso personagem faz estripulias na terra do cinema estadunidense. No filme, o gato encontra alguns artistas famosos da época, como Charles Chaplin. Há quem diga que o personagem do Gato Félix tenha sido inspirado em Carlitos.

Em "Félix em Hollywood", o gato preto visita algumas celebridades da época, a exemplo de Charles Chaplin.

Em razão de tratar-se de um desenho mudo, o Gato Félix foi perdendo popularidade por volta do fim dos anos 20, uma vez que os desenhos animados falados começavam a surgir, sobretudo em razão da criação de Mickey Mouse, por Walt Disney.

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Felix the cat is a cartoon character well known in silent film era. Its black fur, white eyes and wide smile, along with surreal situations in its stories had contributed to be the world’s most popular cartoon. Felix was the first animated character to reach a level of considerable popularity, having been introduced through the large movie screen.

In 1923 the filme “Felix in Hollywood” was released by the Pet Sullivan Comic, in which the naughty character does mischief in the US cinema land. In the film, the cat meets some famous actors of the time, as Charles Chaplin. Some people say that the character Felix the Cat was inspired in Charlie Chaplin.

Due to be a silent cartoon, Felix the Cat have lost popularity by the end of the 20s, since spoken cartoons began to appear, primarily because of the creation of Mickey Mouse by Walt Disney.

A seguir, o curta-metragem, de M. J. Winkler:

Hereinafter, M. J. Winkler’s short film:

*Tradução de Almir Gomes

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Raridade: HQ mexicana sobre Chaplin

Revista Vidas Ilustres (1968)

A revista Vidas Ilustres, publicação pertencente a Editora Novaro (empresa mexicana que atuou entre as décadas de 1950 e 1980), lançou em 15 de maio de 1968, uma edição especial sobre a biografia de Charles Chaplin, toda em História em Quadrinhos. As ilustrações são do cartunista mexicano Don Alonso Fernandez Ramon Velez, já falecido, e apresenta de forma lúdica boa parte da história do artista inglês.

É interessante atentar para o fato de que a revista foi publicada no fim da década de 1960, portanto, ainda na época em que Chaplin estava vivo. O artista falecera 9 anos depois da publicação.

Trata-se de um material raro, uma vez que a revista deixou de circular há pelos menos 30 anos. É um verdadeiro achado, que compartilhamos com vocês. Naturalmente, as histórias são contadas em espanhol, sendo possível acompanhar momentos marcantes da vida de Chaplin, a exemplo da sua infância, ao lado da sua mãe, Hannah, além de algumas imagens dos grandes filmes produzidos por ele.

Abaixo, segue o link. Boa leitura e… divulguem! =D

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O caso do roubo do túmulo de Chaplin (1977)

Poucos sabem, mas após a morte de Charles Chaplin, em 25 de dezembro de 1977, e seu sepultamento, no dia 27 de dezembro, houve um dos mais famosos casos de roubo de cadáveres da história. Uma quadrilha invadiu o cemitério de Corsier sur-Vevey, na Suíça e sequestrou o corpo do artista, numa suposta tentativa de extorquir a família, em troca do resgate do cadáver. A viúva de Chaplin, Oona O´Neill, na ocasião, não fez qualquer comentário sobre o pedido de dinheiro por parte dos ladrões e, a polícia da Suíça, afirmava que  era possível que a quadrilha fosse composta por neo-nazistas, que estavam movidos a se vingarem do artista, por ter feito um filme que satirizava Hitler (O Grande Ditador, 1940).

O assunto ganhou repercussão em todo o mundo e, no Brasil, onde Carlitos já tinha grande fama entre os entusiastas do cinema mudo, não foi diferente. O jornal Folha de São Paulo, publicou entre março e dezembro de 1978 reportagens acerca de todo o processo de investigação e recuperação do corpo de Chaplin. Eis as manchetes publicadas na Folha:

“Corpo de Chaplin é roubado de Corsier Sur Vevey”

“Chaplin, mais um morto itinerante”

“Caso Chaplin: enterrado novamente?”

“Desmentidas as últimas notícias sobre Chaplin”

“Acharam o corpo de Chaplin”

“Restos de Chaplin voltam para Corsier Sur Vevey”

“Chaplin agora enterrado para sempre”

“Viúva de Chaplin dá festa a mil policiais”

“Ainda o roubo do corpo de Chaplin”

O Jornal do Brasil publicou, em 03 de março de 1978, uma matéria sob o título: “Suíços acham que Nazistas violaram o caixão de Chaplin”, onde evidencia as suspeitas da polícia suíça, uma vez que,  o que havia de mais valioso na tumba eram as alças prateadas do caixão, e no entanto os indivíduos levaram o corpo junto.

O plano do grupo de ladrões não obteve êxito, já que a polícia suíça conseguiu capturá-los, resgatando, consequentemente, o corpo de Chaplin. Numa forma de externar seu agradecimento, Oona O´Neill ofereceu uma grande festa para mil policiais, realizada num prédio do governo suíço, em Lausanne.

Poucos dias após a divulgação do roubo do túmulo, o programa Fantástico, da Rede Globo, produziu uma matéria sobre o artista, onde uma famosa atriz da casa veste-se do principal personagem de Chaplin, o vagabundo. No final da mesma matéria, é possivel ver imagens do caixão sendo sepultado no cemitério de Vevey:

Dois anos após a sua morte, o Fantástico produziu uma matéria especial sobre Chaplin. Vale à pena conferir:

O usuário do Youtube, por nome “” capturou algumas imagens do local exato onde o corpo do artista fora encontrado.

Eis a descrição do vídeo:

“In the beginning of March, 1978, Charlie Chaplin’s grave is violated and its body is stolen. Numerous demands of ransom are sent to the Chaplin family. The body of the film-maker will be found some weeks later in a wood, and both gangsters who had kidnapped him will be condemned for attempt of extortion. In the video you will see the place (marked today by a big wooden cross) where the body of the actor was hidden by the kidnappers and where it was found.”

Traduzindo:

“No início de março de 1978, o túmulo de Charlie Chaplin é violado e seu corpo é roubado. Uma numerosa demanda de resgate são enviadas para a famíliaChaplin. O corpo do cineasta será encontrado algumas semanas mais tarde em uma madeira, e os dois bandidos que o tinham seqüestrado serão condenados por tentativa de extorsão. No vídeo você vai ver o local (marcado hoje por uma grande cruz de madeira) onde o corpo do ator foi escondido pelos sequestradores e onde foi encontrado.”

Hoje Charles Chaplin e sua esposa, Oona, repousam no cemitério Corsier sur Vevey, na Suíça.

Os túmulos de Charles Chaplin e Oona Chaplin, em Corsier sur Vevey.

Lamentavelmente ocorreu esse fato na história de Carlitos, entretanto, é por seus grandes feitos como artista que ele é lembrado por todos, merecidamente. Charles Chaplin é um verdadeiro ícone do cinema, revolucionando a forma de lidar com o cinematógrafo. Sua obra ainda influencia muitos artistas e diretores de todo o mundo.

Descanse em paz, Charles Chaplin!

Texto de Hallyson Alves

Fontes:

Jornal do Brasil

Folha de São Paulo

Cine Monstro

Youtube

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Era Chaplin ateu?

Não. Apesar de encontrarmos várias referências na internet afirmando tal posição, nenhuma delas merece legitimidade.

Há alguns dias uma entidade ateísta brasileira anda divulgando um cartaz (sendo disseminado principalmente nas redes sociais, a exemplo do Facebook) que mostra duas fotos, lado a lado, onde, de um lado está Charles Chaplin (como ateu) e do outro, Adolf Hitler (como católico). Logo acima, a frase: “Religião não define caráter”. Claramente vemos a proposta da entidade de afirmar que, ao contrário de Chaplin – que supostamente era ateu e não cometeu tanto mal – Hitler, que se dizia religioso, foi o responsável por tamanha maldade para muitos.

Mas há um equívoco nessa afirmação, sobretudo quando se atribui a figura de Chaplin ao ateísmo. Quanto a Hitler, deixou evidências que foi criado e batizado na igreja católica – ainda que a partir do Nazismo, tenha criado sua própria religião (ou ideologia).

Não propomos aqui fazer juízo de valores, ou seja, acusar ou defender qualquer posição religiosa ou ideológica, entretanto, registramos uma nova abordagem de acordo com o próprio histórico deixado pelo artista.

Cartaz que vem sendo compartilhado pelos membros do Facebook

Em nenhum momento da sua história – registrada ou não em sua biografia – Charles Chaplin se coloca como ateu. Isso é fato.

No portal Entre Textos, Miguel Carqueija nos sugestiona para um lado um tanto cristão do artista, principalmente quando observam-se alguns dos seus vários filmes:

A obra de Chaplin, de forma implícita, já transmite humanismo cristão. Mas há alguma coisa explícita. Num clássico de 1921, “O garoto” (The kid), podemos assistir uma cena tocante: Carlitos incentivando o garotinho (que ele encontrara como um bebê abandonado, e adotara informalmente) a rezar as orações da noite.
    Em “O grande ditador” (“The great dictator”, 1940) o protagonista, um barbeiro judeu (também interpretado por Chaplin e que guarda traços do vagabundo), declara no célebre discurso final: “No décimo sétimo capítulo do Evangelho de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem — não de um só homem ou grupo de homens, mas de todos os homens.” Noutro trecho, em tom de crítica, observa: “nossos conhecimentos tornaram-nos céticos” (isto é, descrentes). 

Em outra ocasião, numa entrevista concedida em 1940, diante do questionamento de críticos que se preocuparam em tentar desvendar se Chaplin era de origem judaica, ele respondeu: “Eu me sentiria orgulhoso de ser judeu, mas não possuo uma gota sequer de sangue judeu”. Teria dito outro dia “As duas personagens que eu mais desejaria recriar em um filme seriam Napoleão e Jesus Cristo”.

Em “O Pensamento Vivo de Chaplin“, publicação muito conhecida que reúne alguns dos principais pontos sobre a vida de grandes mestres do pensamento mundial, a exemplo de Einstein, Freud, Gandhi, Marx, Netzsche, Darwin, Buda, entre outros, encontramos uma passagem interessante, na qual Chaplin diz:

À medida que vou envelhecendo, mais me preocupa a questão da fé. Ela está em nossa vida bem mais do que supomos e inspira as nossa ações bem mais do que a imaginamos. Creio que a fé é precursora de todas as nossas idéias. Sem fé não teríamos criado hipóteses, teorias, ciência ou matemática. Penso que a fé é uma extensão do espírito. É a chave que abre a porta do impossível. Negar a fé é refutar a sim mesmo e ao espírito que gera todas as nossas forças criadoras.

E ainda:

Minha fé é no desconhecido, em tudo que não podemos compreender por meio da razão; creio que o que está acima do nosso entendimento é apenas um fato em outras dimensões e que no reino do desconhecido há uma infinita reserva de poder.

Como vimos, se em nenhum momento Chaplin falou que era religioso, pelo menos sobre ser ateu também nada mencionou.

Referências:

CLARET, Martin. O Pensamento Vivo de Chaplin. São Paulo, Martin Claret Editores, 1984.

http://www.portalentretextos.com.br/colunas/anexos-da-realidade/deus-e-charles-chaplin,248,6691.html Consulta em 22/10/2011.

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O Mistério do Viajante do Tempo no Filme de Chaplin

Uma das polêmicas recentes que apareceram na Internet ultimamemte, foi o viajante do tempo, falando ao celular no filme “The Circus” de Charles Chaplin.
O Britânico chamado George Clarke encontrou neste filme de 1928 uma intrigante cena, onde aparece toda faceira uma senhora “supostamente” falando em um celular. A cena realmente é de dar arrepios. É possivel perceber nitidamente que esta senhora está apoiando algum objeto junto ao ouvido como se realmente se tratasse de um celular, e ainda por cima é possivel notar que sua boca se move, como se estivesse falando com o objeto em questao.
Em seu blog pessoal, Clarke dá um testemunho bastante intrigante:
“Uma grande mulher vestida de preto com um chapéu, escondendo a maior parte de seu rosto e segurando o que só pode ser descrito como um telefone celular – falando enquanto ela caminha sozinha. Estudei este filme por mais de um ano, mostrando-o a mais de 100 pessoas e em um festival de filmes, mas ninguém consegue me oferecer explicações ao que ela está fazendo. Minha única teoria, assim como a de outros, é simples… uma viajante do tempo usando um telefone celular”.
A explicaçao mais pláusivel e talvez conclusiva, é que esta senhora provavelmente estava utilizando um “ear trumpet” ou uma “corneta de ouvido”, que era os aparelhos auriculares da época. Na foto abaixo podemos ver a fotos de dois homens usando estas cornetas. A corneta do homem à esquerda é mais aparatosa, porém na foto à direita podemos ver um senhor utilizando uma corneta mais discreta
O site LiveScience explica:
“Como se poder ver em estas fotos, os aparelhos auditivos antigos, sejam mecânicos ou por ressonância, não eram necessariamente longos e curvos” Muitos deles tinham formas curtas, compactas e retangulares não eram incomuns. Aparelhos auditivos do século 19 com ressonância, tal como cornetas acústicas, ainda eram fabricados em grande número nas primeiras décadas do século 20, e o design básico não mudou muito, apenas incorporou materiais mais novos e parecidos com plástico”.
“Além disso, eu suspeito que a mulher tenha mais de 50 anos, então ela usar um aparelho do século 19 em 1928 não é um exagero”, conclui o site.
Se você ainda nao se convenceu, confira clicando aqui, a cena deste filme e tire suas proprias conclusões.

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Novidades (II)

Seguindo as comemorações de 4 anos, o blog ganhou mais uma página: Contatos. Agora os leitores poderão adicionar os perfis do Blog Chaplin nas redes sociais mais conhecidas: Twitter, Facebook e Orkut (sim, ele ainda sobrevive).

Clique na última aba, e adicione o Blog Chaplin nas redes sociais.

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Exclusivo: Uma Entrevista com o gênio – Parte Final

Com exclusividade, o Blog Chaplin traz a entrevista que Charles Chaplin concendeu à Revista Show, com tradução de Almir Gomes, nosso colaborador.

A matéria é histórica: conta com detalhes como se encontrava o Chaplin que estava no fim da vida. Cada descrição nos faz sentir em diversos momentos, como se estivéssemos na mesma sala, entre Charlie e Willian Wolf, o entrevistador.

Devido ao tamanho da entrevista, dividiremos a mesma em três partes. Boa leitura!

Final – A Entrevista

Chaplin fala da sua relação com os EUA e os primórdios do Cinema

Pergunta. Será que o fato do governo dos EUA impedir a sua volta terá algum efeito na sua produção de filmes?

Chaplin: Eu acho que não. Não. Isto não me deixou amargurado. Sou introspectivo e eu pensei, bem, uma guerra estava acontecendo e eles ficaram aterrorizados com comunismo. O povo do FBI perguntou porque eu segui a linha do partido. Eu disse, ‘Se você me disser que linha do partido é, eu vou te dizer se eu sigo-o ou não. “Eles não podiam acreditar que eu não era comunista. Ah, sim, eu era simpático a qualquer um que estava quebrado e precisava de ajuda. Isso é toda a política na qual me envolvi.”

Pergunta. Por que até agora você nunca permitiu que Um Rei em Nova York fosse mostrado na América?

Chaplin: Ah, porque é um pouco forte, mesmo agora, quando você pensa em todas as ramificações políticas. É um pouco difícil de engolir. Mas eu não fiz isso com qualquer amargura. Ele tem um ótimo desempenho do meu filho Michael e há muitas coisas boas naquele filme. Se um filme dar oportunidade para invenção, eu agarro-a e não me importo que diabos de consequências terá. Nós zombamos de um monte de coisas como a educação progressiva e o enredo desviou-se naturalmente em relação a este rapaz que o FBI estava tentando pressionar para informar sobre seus pais. Mas eu não aceitaria qualquer idéia a menos que houvesse uma grande comédia nele. Eu não sou um panfletário. Eu me diverti muito, e essa é a única coisa que eu estou interessado.”

Pergunta. Quais são algumas de suas lembranças do inicio do cinema?

Chaplin: Os filmes não eram pretensiosos e não custavam milhões. Fizemos um filme por US$1000. Se você passasse disso, eles queriam saber o que você estava fazendo. Eu lembro que fiz uma dos filmes de maior sucesso da minha carreira, “Dinamite e Pastel”, e foram duas bobinas, e eles queriam que eu o fizesse em uma bobina. Mack Sennett foi uma grande influência. Aprendi toda a minha comédia dele. Ele ria das coisas que eu fiz, e eu pensava, bem, não é tão engraçado, mas ele achava engraçado, e ele me deu muita confiança. Eu gostava dos velhos tempos na Califórnia, quando Thomas Ince e Sennet estavam por perto.”

Em um certo ponto a entrevista foi interrompida quando Chaplin deixou a sala ao saber que sua filha, Annie, havia quebrado o tornozelo em um acidente de esqui. Seu filho, Christopher, 8, voltou com ele por alguns instantes, e disse que sua irmã estava se sentindo melhor agora. “Eu não iria esquiar de novo por nada“, brincou Chaplin, enquanto acomadava-se em sua cadeira com dificuldade.

Durante a conversa houve referências esparsas quanto ao seu bem-estar financeiro, levando à conclusão de que sua riqueza era extremamente importante em sua auto-avaliação.  Em um determinado momento ele disse: “É muito bom acabar neste lugar de luxo. Para um menino pobre entrar em tudo isso é muito bom, muito reconfortante” Perguntado se ele tinha alguma filosofia particular sobre o dinheiro, Chaplin respondeu: “Não, não, não. Isso surgiu de uma maneira jocosa. Um homem, um repórter na Inglaterra, disse: “Nós entendemos que você gosta de dinheiro.” Eu disse, ‘Bem, tenho que a excentricidade do gênio – dinheiro e mulheres’ Ele disse: ‘Por que você diz isso?’ e eu disse: ‘Porque é importante, eu odiaria ser velho e sem dinheiro.”

Tem havido muitos relatos de discussões de Chaplin com alguns de seus filhos em seu grande clã familiar. Ele não era relutante em expressar sua opinião sobre Victoria, a quem chamou muito bonita, mas também chamou de “idiota” porque ela não atendeu o seu conselho e se casou com um palhaço de circo. Ele era arrebatador sobre Geraldine, que, segundo ele, “era turbulenta, quando ela era criança, mas ela desenvolveu essa doçura maravilhosa, e ela é muito divertida, muito interessante e muito gratificante”. Ele estava satisfeito porquê sua filha, Josie, havia se casado bem, de acordo com ele, e ele fez questão de ressaltar que seu marido, “um bom rapaz grego,” era um negociante de peles. Apontando para as peles em uma cadeira, ele disse: “A família recebe todas as nossas peles dele.” Referindo-se ao seu filho, o ator Sydney Chaplin, o diretor e a estrela chamou-o “um homem muito engraçado” com evidente prazer em seu trabalho, mas critica-o por não levar nada a sério “como eu faço.”

Ele era quase reverente em relação ao seu relacionamento com sua esposa Oona, filha do dramaturgo Eugene O’Neill. “Pura sorte” foi a maneira como ele descreveu ter sido casado com uma mulher mais jovem. Eu não sei o que faz disso uma sorte, mas faz.”

Saí da conversa com Chaplin desejando muito que eu o houvesse encontrado anos antes, para que eu pudesse comparar como ele era, antes com a sua personalidade agora. Sua reputação está em seus filmes, é claro, e não na opinião de alguém sobre ele como pessoa. Mas ele causou uma impressão agradável, pois o senso de humor estava fortemente lá, ele foi gentil e hospitaleiro, e ele tinha uma espécie de ar de velho estadista de artes sobre ele. Uma observação rápida o forte ego que as pessoas ha muito tempo têm falado.

O firme conhecimento de que seus filmes são reverenciados parece dar-lhe a força para aceitar a sua idade avançada filosoficamente. Ele sabe que muito tempo depois que ele tiver ido embora as pessoas vão estar rindo alegremente ao saborear seus filmes. Mas, dentro dele também parece ser o desejo de fazer mais um filme, uma vez que ele luta contra a ideias de aceitar que o seu trabalho, tão grande como é, julgada, deva estar concluída.

Sua viagem para a América foi extremamente importante para ele, embora ele tenha escolhido para centrar a sua vida em outro lugar. Afinal, foi nos Estados Unidos que o artista, nascido no Reino Unido, teve seus maiores triunfos. Agora que as honras foram dadas a ele, o país está novamente apreciando as realizações de Charlie Chaplin.  Por isso ele sobreviveu ao Macartismo.

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Exclusivo: Uma Entrevista com o gênio – Parte II

Com exclusividade, o Blog Chaplin traz a entrevista que Charles Chaplin concendeu à Revista Show, com tradução de Almir Gomes, nosso colaborador.

A matéria é histórica: conta com detalhes como se encontrava o Chaplin que estava no fim da vida. Cada descrição nos faz sentir em diversos momentos, como se estivéssemos na mesma sala, entre Charlie e Willian Wolf, o entrevistador.

Devido ao tamanho da entrevista, dividiremos a mesma em três partes. Boa leitura!

PARTE II – A Entrevista

Chaplin fala sobre suas pretenções em rodar um novo filme – coisa que não aconteceu, infelizmente.

Pergunta. Você ainda tem esperança de fazer outro filme?

Chaplin: “Eu tenho uma história chamada The Freak , que eu não consegui vender. É uma história maravilhosa, localizada em uma faixa ao longo da América do Sul. Ela começa de uma maneira muito interessante. Um homem está em uma casa bem na borda de um precipício. Seu amigo vai embora, e ele vai para a cama. De repente ele ouve um grito terrível durante a noite, e parece estar vindo de sua janela. Ele não consegue saber de que se trata.

Então, ele ouve um solavanco e percebe que algo está sendo atacado, então ele vai até o telhado e é muito menina com asas, que está sendo atacada por águias. Naturalmente, esta é uma parte maravilhosa para a garota. Ele se aproxima dela e pergunta: Você machucou suas asas, ou algo assim?” E ela vai (Nesse ponto Chaplin requintadamente imitava movimentos de agarrar uma criatura, antes de continuar, triste.) Mas tudo isso acabou agora.”

Pergunta. Você acha que você poderia fazer o filme?

Chaplin: “Ah, sim, eu poderia fazer isso maravilhosamente. Eu conheço toda a mecânica e tudo mais. A única coisa que eu quero é uma câmera de mão. Essa é a desvantagem da idade moderna. Tudo é tão mecânico e assim por diante. Mas eu comprei este aparelho mecânico, somente as asas se movem muito lentamente. Eles devem ir assim,  você vê.” (Ele agitava os braços com uma rapidez incrível.)

Pergunta. O que você acha dos filmes de hoje?

Chaplin: Eu não acho que eles se comportam como o meu. Eu sou muito franco em dizer isso. Eles não têm nenhum mérito. Eles são tolos, e se artistas tiram suas roupas – bem, tudo bem, mas eu diria que é o que eu desaprovo sobre o cinema moderno. Qualquer queridinha pode chegar e tirar a roupa, e ela é interessante para o público médio. Mas eu trabalhei dei um duro danado para fazer um filme, e tudo que fiz foi com amor, com meu coração e alma, e com um entusiasmo incrível. Pode-se dizer que o meu trabalho tinha invenção. Eu não considero que sou um gênio. As coisas vêm difícil para mim. Eu acho que eles devem vir mais fácil para outras pessoas.

“Devo dizer sobre o filme moderno que há muito pouco censura. Eu não acredito em uma politica de censura tanto quanto em certas restrições. Acredito que eles devam incentivar a invenção. Mas eu acho que deveria ser o cineasta quem exerce as restrições. Tínhamos o escritório Breen. Um cineasta de hoje não tem de aturar tanto quanto isso. De certa forma foi bom, em alguns aspectos, era ruim e tolo. Você iria passar por um monte de bobagens preconceituosas. Mas, ao mesmo tempo, houve a restrição de que todo o desempenho de entretenimento deveria ter porque sem ela, você teria em um strip-tease ou algo assim.”

continua…

Parte 3

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