
Poucos sabem, mas após a morte de Charles Chaplin, em 25 de dezembro de 1977, e seu sepultamento, no dia 27 de dezembro, houve um dos mais famosos casos de roubo de cadáveres da história. Uma quadrilha invadiu o cemitério de Corsier sur-Vevey, na Suíça e sequestrou o corpo do artista, numa suposta tentativa de extorquir a família, em troca do resgate do cadáver. A viúva de Chaplin, Oona O´Neill, na ocasião, não fez qualquer comentário sobre o pedido de dinheiro por parte dos ladrões e, a polícia da Suíça, afirmava que era possível que a quadrilha fosse composta por neo-nazistas, que estavam movidos a se vingarem do artista, por ter feito um filme que satirizava Hitler (O Grande Ditador, 1940).
O assunto ganhou repercussão em todo o mundo e, no Brasil, onde Carlitos já tinha grande fama entre os entusiastas do cinema mudo, não foi diferente. O jornal Folha de São Paulo, publicou entre março e dezembro de 1978 reportagens acerca de todo o processo de investigação e recuperação do corpo de Chaplin. Eis as manchetes publicadas na Folha:
“Corpo de Chaplin é roubado de Corsier Sur Vevey”
“Chaplin, mais um morto itinerante”
“Caso Chaplin: enterrado novamente?”
“Desmentidas as últimas notícias sobre Chaplin”
“Acharam o corpo de Chaplin”
“Restos de Chaplin voltam para Corsier Sur Vevey”
“Chaplin agora enterrado para sempre”
“Viúva de Chaplin dá festa a mil policiais”
“Ainda o roubo do corpo de Chaplin”
O Jornal do Brasil publicou, em 03 de março de 1978, uma matéria sob o título: “Suíços acham que Nazistas violaram o caixão de Chaplin”, onde evidencia as suspeitas da polícia suíça, uma vez que, o que havia de mais valioso na tumba eram as alças prateadas do caixão, e no entanto os indivíduos levaram o corpo junto.
O plano do grupo de ladrões não obteve êxito, já que a polícia suíça conseguiu capturá-los, resgatando, consequentemente, o corpo de Chaplin. Numa forma de externar seu agradecimento, Oona O´Neill ofereceu uma grande festa para mil policiais, realizada num prédio do governo suíço, em Lausanne.
Poucos dias após a divulgação do roubo do túmulo, o programa Fantástico, da Rede Globo, produziu uma matéria sobre o artista, onde uma famosa atriz da casa veste-se do principal personagem de Chaplin, o vagabundo. No final da mesma matéria, é possivel ver imagens do caixão sendo sepultado no cemitério de Vevey:
Dois anos após a sua morte, o Fantástico produziu uma matéria especial sobre Chaplin. Vale à pena conferir:
O usuário do Youtube, por nome “switzerlandchocolate” capturou algumas imagens do local exato onde o corpo do artista fora encontrado.
Eis a descrição do vídeo:
“In the beginning of March, 1978, Charlie Chaplin’s grave is violated and its body is stolen. Numerous demands of ransom are sent to the Chaplin family. The body of the film-maker will be found some weeks later in a wood, and both gangsters who had kidnapped him will be condemned for attempt of extortion. In the video you will see the place (marked today by a big wooden cross) where the body of the actor was hidden by the kidnappers and where it was found.”
Traduzindo:
“No início de março de 1978, o túmulo de Charlie Chaplin é violado e seu corpo é roubado. Uma numerosa demanda de resgate são enviadas para a famíliaChaplin. O corpo do cineasta será encontrado algumas semanas mais tarde em uma madeira, e os dois bandidos que o tinham seqüestrado serão condenados por tentativa de extorsão. No vídeo você vai ver o local (marcado hoje por uma grande cruz de madeira) onde o corpo do ator foi escondido pelos sequestradores e onde foi encontrado.”
Hoje Charles Chaplin e sua esposa, Oona, repousam no cemitério Corsier sur Vevey, na Suíça.

Os túmulos de Charles Chaplin e Oona Chaplin, em Corsier sur Vevey.
Lamentavelmente ocorreu esse fato na história de Carlitos, entretanto, é por seus grandes feitos como artista que ele é lembrado por todos, merecidamente. Charles Chaplin é um verdadeiro ícone do cinema, revolucionando a forma de lidar com o cinematógrafo. Sua obra ainda influencia muitos artistas e diretores de todo o mundo.

Descanse em paz, Charles Chaplin!
Texto de Hallyson Alves
Fontes:
Folha de São Paulo
Youtube
















#1 by André Luiz on 06/02/2012 - 0:10
A grandeza de um gênio dessa natureza me remete a lembrança de um Deus que o criou e que agora o tem novamente perto de Si.
#2 by Hall on 06/02/2012 - 0:35
Uma curiosidade: Ao digitar “Chaplin” no espaço de busca do Acervo Digital da Folha, são encontrados 7.500 páginas de resultados ao termo, sendo:
2003 – 2012: 739 páginas
1995 – 2002: 723 páginas
1990 – 1994: 803 páginas
1987 – 1989: 1.165 páginas
1984 – 1986: 965 páginas
1982 – 1983: 683 páginas
1978 – 1981: 773 páginas
1974 – 1977: 753 páginas
1964 – 1973: 685 páginas